51º Concurso de Ganadarias de Évora
Realizou-se em Évora na Catedral do Forcado o 51º Concurso de ganadarias, com uma excelente entrada de público, três quartos fortes.
Pega histórica e estóica de António Alfacinha do Grupo de Évora no último toiro da tarde; um toiro sério e perigoso de Dolores Aguirre que pesava 634kg, ao qual Alfacinha fez um pegão que levantou em peso a praça de Évora, ouviu estrondosos aplausos e deu duas voltas de agradecimento, um final apoteótico e emocionante.
Pegou também por Évora o cabo Bernardo Patinhas á segunda tentativa o toiro de Palha, e Ricardo Casasnovas também á segunda tentativa o toiro de Murteira Grave; se os ajudas tivessem “acreditado” mais nas duas primeiras tentativas, facilmente esta duas pegas teriam sido resolvidas ao primeiro intento.
Por Montemor abriu João Tavares numa boa pega ao primeiro intento ao toiro Miura, o toiro de Victorino Martin apenas foi pegado á quarta tentativa pelo forcado João Romão Tavares; e para o toiro Passanha, o mais pesado da corrida que pesava 680kg saiu o cabo José Maria Cortes, que sofreu violenta colhida ficando inanimado na praça chegando a temer-se o pior, foi dobrado pelo forcado João Braga que apenas conseguiu pegar á terceira tentativa com ajudas carregadas.
A passagem de António Telles pela arena de Évora teve pouca história; no seu primeiro teve uma lide apagada e desacertada, foi assobiado nalguns ferros que cravou, foi a única lide que não teve música; e no final inesperadamente e sem necessidade alguma, António Telles saiu sem hesitações para a volta de agradecimento que apenas foi pedida para o forcado. No segundo António já teve uma lide mais ao seu nível, cravou cinco compridos de boa nota, sendo o último a pedido do público.
João Salgueiro triunfou; primeiro frente ao bravo toiro de Palha que Salgueiro aproveitou da melhor forma, tendo-lhe imprimido uma lide emocionante e perfeita, cravando quatro ferros curtos e dois compridos de grande qualidade. No segundo que lidou, um cumpridor toiro de Passanha, ao qual o cavaleiro conseguiu colocar a emoção que o toiro não tinha; teve dois ferros ao piton contrário de nota vinte, citou ferros de praça á praça lidando em todos os terrenos, terminou a lide com mais um de qualidade superior; ouviu merecidamente os maiores aplausos da tarde.
Victor Ribeiro também triunfou, apesar de serem lides e toiros diferentes dos de Salgueiro, Victor teve trabalho redobrado nas suas actuações, tanto no primeiro que lidou de Victorino Martin (desinteressado), como no segundo de Dolores Aguirre (sério, reservado e perigoso), que foram dois toiros com idade e com sentido que na maioria das vezes se mostravam mais interessados com a mexida e as vendas nas bancadas (que o Director e bem tentou em vão acalmar) do que com o cavaleiro, mas mesmo assim teve duas excelentes lides, destacamos a segunda na qual escutou música logo no primeiro curto e dai veio sempre a mais, termina com um excelente ferro curto a pedido do público que reconheceu e premiou da melhor forma as duas actuações do cavaleiro, que podemos também afirmar que foi um dos grandes triunfadores da tarde.
O concurso de ganadarias, depois do escândalo na atribuição do prémio do ano passado, em que o júri era tradicionalmente constituído por elementos da Tertúlia Tauromáquica Eborense, este ano tinha a novidade, e bem, de ser constituído pelos Srs Ganadeiros, e assim os prémios este ano foram para: Ganadaria Palha o prémio de bravura com unanimidade total do público, e de apresentação para a ganadaria de Victorino Martin, este com algum descontentamento do público; quanto a nós pensamos que sendo atribuído pelos Ganadeiros
não nos cabe qualquer tipo de dúvida, uma vez que devem ter tido em conta a melhor apresentação dentro do tipo de cada ganadaria, que são eles que conhecem melhor que ninguém.
Dirigiu com acerto e rigor o Exmo Sr Director Nuno Néry, coadjuvado pelo Medico Veterinário Dr. Matias Guilherme, tendo como cornetim Hélio Tique.
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