Alter do Chão - Retrospectiva
Boa corrida de toiros na homenagem a D.José de Atahyde
O 25 de Abril é dia de toiros na Vila de Alter do Chão, data já consolidada no nosso calendário taurino, e a tradição cumpriu-se; na bem cuidada praça de toiros local, as Empresas J.C. Toiros e Terra Brava montaram uma corrida à portuguesa com um cartel atraente. Bom ambiente e ”Casa Cheia” numa tarde de muito calor, a fazer transpirar todos aqueles que preenchiam o sector de sol. Tarde também de homenagem, aos vivos e aos que já partiram deste mundo.Durante as cortesias foi guardado um minuto de silêncio em memória do forcado Ricardo Mota do grupo de Alcochete, e do bandarilheiro Alberto Reimão, recentemente falecidos. No intervalo da corrida foi prestada uma homenagem ao cavaleiro D.José de Atahyde, com o descerramento de uma lápide alusiva, no pátio de quadrilhas da praça, e entrega no centro da arena, de lembranças ao homenageado, por parte das entidades oficiais e Empresa.
Abriu a função JOÃO MOURA que pode dizer-se que actuou em casa, pois foi perceptivel das bancadas um forte apoio à sua pessoa.Teve duas lides distintas; na primeira lidou um toiro que cumpriu, o qual saiu à arena com muita pata, e que Moura recebeu muito bem trazendo-o na garupa da montada, durante largo tempo, quer pela direita, quer pela esquerda, cravando-lhe dois compridos à tira.Foi um inicio auspicioso, mas que não teve continuidade, dado que a lide veio de mais a menos, com colocação da ferragem curta, algo descaída.Com o quinto exemplar da tarde, um toiro castanho chorreado, bisco, com meias-investidas, o cavaleiro de Portalegre “pôs o que o toiro não tinha” e rubricou uma actuação de êxito, com uma brega notável, bem ao seu estilo, com o cavalo a ladear e a dobrar-se, como se fosse uma muleta; desta feita a ferragem curta foi de boa nota, e as bancadas aplaudiram fortemente o cavaleiro.
Triunfo de VITOR RIBEIRO, nesta sua passagem por Alter, com duas lides muito boas,na primeira esteve soberbo e confiante, perante um bonito hastado castanho-albardado-listão, que apesar de se mostrar distraído no inicio da lide, veio a revelar bravura. Deixou-lhe dois bons ferros compridos à tira, e desenvolveu uma brega correcta, levando o toiro embebido na garupa da montada.Com os curtos citou de largo, dando vantagem ao seu oponente, e depois sempre de frente, cravou bem no alto a ferragem da ordem. Ao sexto da tarde, um toiro nobre, que revelou boas condições de lide, “Mavita” rubricou novo triunfo, com uma brega eficiente e perfeito domínio das montadas. Com o cavalo ruço , “Rilvas”, ferro Luís Rouxinol, cita de largo, encurta terrenos e de frente deixa três ferros curtos, do melhor que se viu nesta tarde, rematados como mandam as regras do toureio à portuguesa, saindo em ambiente de grande euforia nos tendidos.
TIAGO CARREIRAS, cavaleiro praticante, não esteve ao seu melhor nível, e as coisas não lhe correram de feição, conforme certamente pretendia, umas vezes por culpa própria, outras pelo mau comportamento dos toiros que lhe tocaram em sorte. No seu primeiro, bem apresentado, com algum trapio, recebe-o muito bem, dobrando-se com ele no centro da arena, mas depois na cravagem dum ferro comprido sofre forte toque na montada.Com os curtos as coisas passaram-se de forma idêntica, o toiro adquire sentido e investe forte no momento da reunião, voltando a acontecer toques na montada,com o jovem ginete a não escolher correctamente os terrenos de abordagem ao cornúpeto.
No último da tarde, um bonito exemplar, flavo e bisco, Tiago sentiu dificuldades no inicio da lide, com indecisões no momento da reunião, cravou apenas um ferro comprido, e sofreu um forte toque na montada contra a trincheira. Foi buscar o “Quirino”, numa tentativa de levantar a lide, mas o toiro já revelava a sua mansidão, com meias-investidas e desinteresse pela montada, e só a custo de pisar terrenos de compromisso pôde deixar a ferragem curta(destaca-se o último da tarde), dobrando-se e ladeando com a montada. O público muito justamente, soube reconhecer o esforço e a raça do jovem cavaleiro, e tributa-lhe forte ovação.
O amador MANUEL VACAS DE CARVALHO, lidou em quarto lugar, um novilho, também da ganadaria titular, e pode-se dizer que teve uma prestação com altos e baixos, muito própria de um jovem amador ainda com muito para aprender, mas o que é importante realçar, é a oportunidade que lhe foi dada pelos organizadores da corrida.
Quando se anunciam toiros Pégoras, esperam-se dificuldades para os forcados, mas nesta corrida as coisas felizmente não foram bem assim, e tanto o grupo de Montemor, bem como o grupo da casa, resolveram sem problemas de maior, as pegas que lhe tocaram.
Por Montemor foram caras JOÃO BRAGA( fechou-se bem à 1ª) com o toiro a arrancar airosamente, FILIPE MENDES consumou a pega à córnea à 2ª , depois de o toiro na 1ª tentativa ter desviado a investida no momento da reunião, e PEDRO BARRADAS tambem à 1ª e fechando-se sem dificuldades à barbela.
Por Alter,pegaram SÉRGIO PIRES, à 1ª, aguentando a investida de cara alta e fechando-se à barbela, BRUNO ALMEIDA de forma pouco ortodoxa, conseguiu ficar na cara do toiro também à 1ª, e ELIAS SANTOS efectuou a pega da tarde, aguentando sozinho os fortes derrotes que o toiro lhe propinou, enquanto o grupo não ajudava. O novilho foi pegado sem problemas por FRANCISCO BARRETO (Montemor), com metade dos elementos de cada grupo interveniente.
Os toiros da ganadaria da Herdade de Pégoras, divisa azul e branco, estavam bem apresentados, e tiveram comportamentos desiguais, destacando-se o 2º, e cumprindo o 1º e 6º da tarde. Os pesos do curro lidado, oscilaram entre os 530 e 480 Kg.
Estavam em disputa nesta corrida o Troféu D. José de Atahyde para a melhor lide a cavalo, e o 8º Prémio Luís Saramago, para a melhor pega; se na escolha deste prémio, o consenso foi unânime entre o júri e o público presente, atribuindo-se o prémio ao forcado do grupo da casa Elias Santos, na escolha da melhor lide a cavalo a bronca deu-se quando foi anunciado o nome de João Moura como vencedor, e o público que aplaudiu o cavaleiro aquando da sua segunda actuação, agora assobiava-o, mostrando o seu desagrado pela escolha do júri, que muitos consideravam Vítor Ribeiro como o merecedor do Troféu.
Dirigiu a corrida o Sr. Ricardo Pereira, assesorado pelo médico-veterinário Dr. José Guerra. Foi cornetim de serviço o Sr. Nuno Narciso e a Banda Municipal Alterense abrilhantou o espectáculo.
Texto: Fernando Pereira
Fotos: Florindo Piteira
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