Évora 2009 - Site Toureio
Numa análise geral à temporada 2009 na praça de toiros Arena d`Évora, saliento a capacidade da empresa Terra Brava em tentar montar cartéis variados, tanto no artistas como nas ganadarias, enquanto no que toca aos grupos de forcados, continua a manter o compromisso com o grupo da terra, salvo raras excepções em que outros grupos participam. Em termos de público notou-se uma ligeira diminuição na afluência, quiçá consequência da crise mundial. No entanto, a praça de Évora continua a demarcar terreno como uma das praças com maior peso no panorama taurino.
A temporada na praça eborense iniciou a 11 de Abril com o espectáculo que é já a sua imagem de marca, a 2ª edição da Festa do Forcado, em que depois de um dia inteiro dedicado à figura do moço de forcado, culminou com a prestação do grupo que mais se destacou de tarde, os de Alter-do-Chão e o grupo convidado, os mexicanos de Mazatlán. Lidaram toiros de Veiga Teixeira os cavaleiros Rui Salvador, Rui Fernandes, Vítor Ribeiro e o praticante Soller García numa noite em que os forcados mexicanos foram os homens da noite.
A 17 de Maio foi noite de uma das corridas com maior tradição em Portugal, o 50º Concurso de Ganadarias e depois de no ano passado, a empresa Terra Brava ter revolucionado com sucesso, na introdução de ganadarias espanholas em concurso, em 2009, repetiu a dose e de novo com enorme êxito, com a participação de toiros de Miura, Palha, Partido de Resina, Victorino Martin, Murteira Grave e Passanha, para os cavaleiros João Moura, António Telles e António Maria Brito Paes e nas pegas os grupos de Montemor e Évora. No final decidiu o júri atribuir os dois prémios, bravura e apresentação, ao toiro de Murteira Grave, merecidos a meu ver, mas foi decisão que o público contestou e o ganadero num sentido de honra para com as bancadas entregou à representante da ganadaria Palha, o troféu Bravura.
A tradicional corrida de São Pedro, a 29 de Junho, juntou cavaleiros veteranos com jovens promessas frente a um complicado curro de toiros de Murteira Grave com o qual o grupo de Évora se aguentou na perfeição. Dos cavaleiros em praça, Joaquim Bastinhas, António Telles, Rui Salvador, Marcos Tenório, Tiago Carreiras e Salgueiro da Costa, destaco Marcos Tenório pela sobriedade e regularidade da lide.
Outra corrida já com posição vincada na temporada de Évora, é a Tourada Real, que no ano passado aconteceu no dia 10 de Julho e juntou três jovens cavaleiros, João Moura Caetano, João Moura Jr e João Telles Jr, num cartel que despertava interesse e poderia surtir competição entre os três cavaleiros de dinastia. No entanto da corrida, que foi transmitida pela televisão, pouco ficou para contar, com os artistas a pecarem pela pouca exigência, com lides insonsas e sem entenderem os toiros de Passanha.
Mas se houve corrida que despertou demasiadas expectativas, foi a do regresso de um curro de Palha a Portugal, a 12 de Setembro. Expectativas que saíram goradas, pois apesar dos triunfos alcançados em Espanha, a ganadaria Palha que esteve 8 anos sem enviar um curro completo de toiros para Portugal, defraudou, com reses mansas, que se fechavam em tábuas, com os ginetes a não terem capacidade e entendimento suficiente para se aguentar com elas. A verdade é que os toiros são como os melões e as desilusões acontecem. Mas se os palhas se amedrontaram nas lides de Rouxinol, Vítor Ribeiro e Francisco Palha, aos forcados Amadores de Montemor pediram contas, no entanto o grupo mostrou uma vez mais porque é considerado um dos melhores, aguentando-se bem com eles.
A 25 de Setembro, a denominada Corrida dos Triunfadores decorreu este ano com o atractivo adicional de ser a 1ª Grande Corrida da Casa do Benfica de Évora. Para esta corrida, a empresa Terra Brava, decidiu aderir à moda das ganadarias espanholas e os toiros escolhidos para essa noite pertenceram à ganadaria de Alcurrucén, que impediram o luzimento dos cavaleiros, dificultando o seu labor, sendo que nem Rui Fernandes, nem João Telles Jr ou Tiago Carreiras sobressaíram nessa noite. Pegou em solitário o grupo da terra sem grandes problemas.
Como já vem sendo hábito, a temporada na Arena d`Évora encerrou a 31 de Outubro, com o Festival de Beneficência, desta feita a favor da Caritas de Évora, com a participação dos cavaleiros, Francisco Núncio, Tomás Pinto, Francisco Zenkl, João Soller Garcia, António Vacas de Carvalho e Mateus Prieto, sendo que foi este último, aquele que mais despertou atenção pela energia e pelo sentido de lide. Uma selecção de forcados eborenses pegou novilhos de Assunção Coimbra, Passanha, Pégoras, Rio Frio, Canas Vigouroux e Murteira Grave.
Sintetizadas as corridas da temporada passada, creio que aquilo que sobressai a melhorar na próxima seja uma maior preocupação na escolha dos curros. Tarefa complicada, quando verificamos que as ganadarias são de peso e que os toiros só depois de estarem em praça se revelam. Talvez se da parte dos toureiros houver mais empenho e por conseguinte maior exigência por parte do público, em termos artísticos se melhore a qualidade dos espectáculos. Mas definitivamente a Arena d`Évora está vincada com o título de Catedral do Forcado e nesse sentido tudo tem corrido de feição.
Acredito que em 2010 e com uma já prometida ‘revisão’ do preçário dos bilhetes, o público volte em força à renovada praça eborense, porque atractivos por parte da empresa, não têm faltado, assim os artistas e toiros ajudem!
Patrícia Sardinha
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