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Temporada de 2009 em Évora - Artigo Novo Burladero
A temporada de 2009 na Arena d`Évora contou com seis corridas de toiros, uma garraiada e um festival taurino. A 11 de Abril teve lugar a Festa do Forcado, durante uma tarde longa onde os 3500 lugares da praça se preencheram na totalidade para ver o concurso de cernelhas. De entre os 43 grupos representados saiu vitoriosa a dupla vinda da Tertúlia Tauromáquica Terceirense. Interessante foi também o reviver de sortes antigas por parte dos amadores de Santarém, Montemor e Vila Franca. Foi uma tarde de festa onde se exultou a figura do Forcado! Horas depois teve lugar a primeira corrida da temporada eborense, onde sete toiros de Veiga Teixeira foram toureados a cavalo por Rui Salvador, Rui Fernandes, Vítor Ribeiro e o praticante João Soller Garcia e pegados pelos Amadores de Alter do Chão, segundo classificado no concurso de cernelhas, e pelo grupo mexicano de Mazátlan. Na ausência de triunfos dos cavaleiros, o êxito pertenceu aos forcados de Mazátlan, com uma noite histórica onde assinaram quatro pegas de grande nível, com todo o grupo chamado à praça para no final ser aplaudido de forma apoteótica.

No dia 17 de Maio a praça voltou a registar uma enchente para o 50º concurso de ganadarias, que se revelou o ponto alto da temporada nesta praça. Pela segunda vez o concurso integrou divisas nacionais (Palha, Murteira Grave e Passanha) e espanholas (Miura, Victorino Martín e Partido de Resina), tendo sido premiado com o troféu Apresentação o exemplar vindo da Galeana. Apesar da Tertúlia Tauromáquica Eborense ter decidido atribuir também o troféu Bravura ao toiro de Murteira Grave, o facto é que o proprietário da divisa, o Dr. Joaquim Grave, entregou de forma justa o prémio ao representante da ganadaria Palha, que de facto enviou o toiro de bravura mais evidente. Da terna de cavaleiros constituída por João Moura, António Telles e António Maria Brito Paes, sobressaiu o maestro da Torrinha, com uma lide de bom nível frente ao grande Palha. Para pegar os seis imponentes toiros estiveram os Amadores de Montemor e Évora, levando vantagem os “vizinhos” de Montemor.

A 23 de Maio a festa foi feita pelos estudantes, com uma garraiada muito animada pela ocasião da Queima das Fitas desta cidade com forte tradição académica. 

Numa das datas mais tradicionais desta praça, o São Pedro, o público correspondeu e no dia 29 de Junho, quase que enchia novamente as bancadas. Lidou-se uma corrida de Murteira Grave e com um cartel dividido entre veteranos e jovens, assistiram-se a alguns bons momentos. De entre os mais velhos sobressaiu Rui Salvador, com uma actuação de valor e entrega, exibindo-se Joaquim Bastinhas e António Ribeiro Telles em tom menor. No que respeita à juventude, João Salgueiro da Costa deixou ferros de grande verdade e exposição, distanciando-se assim de Marcos Tenório e Tiago Carreiras, que se mostraram voluntariosos. Para pegar os “graves” fardaram-se antigos e actuais forcados do grupo de Évora com uma noite positiva, apesar de não terem atingido um êxito redondo.
 
A 10 de Julho, com transmissão em directo para todo o país, deu-se a XII Tourada Real. Contudo, o público não compareceu e em termos artísticos terá sido o espectáculo de menor interesse. Os toiros de Passanha pouco transmitiram e a terna actuante – João Moura Caetano, João Moura Jr. e João Telles Jr. – não logrou o êxito. Para as pegas saltaram à arena os Amadores de Santarém e, novamente, os de Évora, tendo como ponto alto a pega de cernelha que encerrou a noite por parte do grupo da “casa”.
Já no mês de Setembro, no dia 12, anunciou-se uma das corridas de maior expectativa…que resultou numa desilusão. Foi o ponto baixo da temporada eborense. Os Palhas anunciados não corresponderam nem em apresentação nem em comportamento ao que deles se esperava. Apenas Luís Rouxinol fez valer a sua maturidade e, com uma primeira lide muito séria, destacou-se claramente de Vítor Ribeiro e Francisco Palha. A noite foi dura mas em crescendo para os forcados Montemor que comemoraram os seus 70 anos.

No dia 25 de Setembro saíram pela porta dos sustos seis toiros da ganadaria espanhola de Alcurrucen, que deram pouco jogo. A empresa intitulou esta corrida como “corrida dos triunfadores” e nela participou Rui Fernandes, João Telles Jr. e Tiago Carreiras, que andaram com decisão tentando “levar a água ao seu moinho”, sem que no entanto tenha surgido um triunfo redondo. O grupo de Évora encerrou-se sozinho com os “alcurrucen” e demonstrou coesão e garra, numa noite onde se despediu das arenas, com uma bonita pega, o forcado Francisco Garcia.

Finalmente, a temporada finalizou no último dia de Outubro com um festival a favor da Caritas Diocesana de Évora que para além de Francisco Núncio, contou com cinco jovens promessas que mostraram as suas credenciais: Tomás Pinto, Francisco Zenkl, João Soller Garcia, Manuel Vacas de Carvalho e Mateus Prieto. Pegaram os novilhos oferecidos por diferentes ganadarias uma selecção de forcados eborenses, de onde se destacou uma pega do já retirado Manuel Murteira.

Em suma, foi uma temporada extensa com uma resposta geralmente positiva por parte do público, onde o momento alto aconteceu na corrida concurso de ganadarias e o de maior desilusão deu-se na corrida de Palha. A Festa do Forcado foi outro momento marcante e para recordar ficou a prestação dos mexicanos de Mazatlan. A próxima temporada já está delineada, com igual número de espectáculos. Só resta esperar que os toiros invistam e que os toureiros lhes saibam dar a lide adequada!

Carlos Martins
Novo Burladero.
Concurso de Ganadarias - 2009
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