Carlos Pegado: Entravista a Naturales
“É IMPORTANTE
QUE A FESTA ESTEJA “SAUDÁVEL”
PARA ENFRENTAR TANTOS “VÍRUS”
QUE A ATACAM.” Carlos pegado
O Carlos Pegado foi notícia neste defeso por ser o novo apoderado de Vítor Ribeiro. Como surgiu essa oportunidade de gerir a carreira desse cavaleiro?
Surgiu na sequência de um convite feito pelo próprio Vítor Ribeiro para que ficasse a gerir a sua carreira. É um cavaleiro que muito admiro e o seu convite foi para mim uma enorme honra e constitui também um grande desafio. Aceitei-o com o maior sentido de responsabilidade que este cargo encerra.
A par do Vítor Ribeiro, o Carlos contava continuar a gerir a carreira do João Moura Caetano, o que já vinha a acontecer há três temporadas, no entanto pouco tempo depois de se anunciar como apoderado de Ribeiro, eis que surge um comunicado da família Caetano onde referiam que terminava a sua ligação à casa Caetano. Foi mútuo acordo ou foi surpreendido por esta decisão?
Fiquei um pouco surpreendido, pois numa conversa inicial com o Paulo Caetano tínhamos acordado manter a nossa ligação. No entanto depois de ponderarem acharam que não seria benéfico para o João. Então, como pessoas civilizadas que somos, decidimos terminar a relação de apoderamento, não saindo em nada beliscada a relação de amizade existente entre as nossas famílias.
Que acha que falhou na sua relação de apoderamento com o Moura Caetano? Ou melhor, o que acha que nestas 3 temporadas em que geriu a carreira do cavaleiro de Monforte, correu bem e correu mal?
O João é, sem sombra de dúvida, uma grande promessa do toureio a cavalo. O apoderado tem um importante papel de gerir nos bastidores a carreira do seu toureiro, no entanto deverá ser o próprio toureiro a escolher o seu caminho com base no seu trabalho, dedicação e espírito de sacrifício para que o resultado final seja o triunfo em praça e a ascensão do toureiro perante o público. Isso só depende do toureiro e do seu nível de exigência consigo próprio.
Também surgiu a notícia, de que a empresa da qual é a cara mais visível, a Terra Brava, irá nos próximos dois anos explorar a praça de toiros de S. Manços. Sente isso como um desafio, pois nos últimos anos, as corridas ali realizadas têm-se revelado fracas de bilheteira, muito em culpa também devido ao tempo instável que faz nas datas tradicionais?
Tudo o que se faz na vida deve ser encarado como um desafio a nós próprios e com a máxima responsabilidade. Julgo que não existem praças boas ou más, apenas sim formas de as trabalhar. Por vezes os resultados não são imediatos, mas acredito sempre que com muito trabalho, profissionalismo e paixão o resultado é quase sempre positivo.
Segundo consta, uma das suas primeiras ‘mexidas’ em S. Manços, é antecipar a tradicional corrida de Páscoa, de domingo para sábado. É uma estratégia?
É uma tentativa de alterar algo que penso não estar bem. Depois de muito pensar encontrei os argumentos necessários para que me possa sentir convencido que tudo irá melhorar com esta alteração.
Évora, Alcácer, Elvas, Alter-do-Chão, agora S. Manços, novos apoderamentos… Até onde quer chegar o empresário Carlos Pegado?
A minha ambição é servir a Festa sempre como forma de alimentar a minha grande paixão por este espectáculo único. Sinto que as pessoas que vivem este mundo com pureza e entrega total à sua profissão têm uma postura de grande dignidade perante a vida. Se conseguirmos separar o “trigo do joio”, um dos meus objectivos será atingido. É importante que a Festa esteja “saudável” para enfrentar tantos “vírus” que a atacam.
Para a próxima temporada na Arena d`Évora, já há alguma novidade que possa adiantar?
Iremos apresentar 8 espectáculos, como já tornámos público, através do nosso Calendário para 2010. A temporada será inaugurada no dia 27 de Março com a 3ª edição da Festa do Forcado, que é já considerada a data mais importante no que à arte de pegar toiros se refere, onde é enaltecida, como nunca o foi, uma das figuras de referência da nossa Tauromaquia – o Forcado. No Concurso de Ganadarias iremos manter o formato de 3 ganadarias portuguesas e 3 espanholas, se bem que aqui poderá haver novidades no campo das ganadarias a lidar. Iremos continuar a dar a máxima importância ao toiro e à sua apresentação. Também quanto ao preço dos bilhetes irá haver uma redução nos valores a praticar, de modo a que ninguém fique, por essa razão, impossibilitado de assistir aos espectáculos na Arena d`Évora.
Um facto da sua gestão empresarial é a ausência de toureio a pé nas suas corridas, sendo que na Arena d`Évora nem burladeros existem. Não conta em nenhuma das praças que gere, introduzir toureio a pé nos seus cartéis?
Existem burladeros na Arena d’Évora, embora nunca tenham sido utilizados. Quanto ao facto de poucas vezes ter organizado corridas com toureio a pé, prende-se com o facto de que a realidade se alterou muito, alguns anos antes de eu ser empresário. A corrida apeada como se faz no nosso país resulta, para os aficionados, num espectáculo amputado e de pouca emoção, onde raramente conseguimos ver um pouco de bom toureio. E também não é um espectáculo rentável, para as empresas, devido a dois factores essenciais: Não há figuras em Portugal e as figuras de Espanha não atraem público às nossas praças, nomeadamente no Alentejo, onde devido à proximidade com Espanha os aficionados preferem deslocar-se e ver a corrida integral, que não é possível realizar no nosso país. Será necessário fazer um trabalho de base para que se volte a criar o gosto e o hábito no público português.
Como caracteriza o actual momento da festa de toiros em Portugal?
De renovação e de revitalização. De renovação nos artistas, no público e até nas praças, o que veio sem dúvida nenhuma revitalizar o momento actual. Mas é importante que se mantenham as referências básicas e estruturais da corrida de toiros à portuguesa, o que nem sempre acontece.
O que pensa da situação que se vive na Catalunha onde se corre o risco de se proibirem as corridas de toiros?
Vejo com bastante preocupação, mas é um aviso para todos nós. É bom que de uma vez por todas os agentes da festa e os próprios aficionados, reconheçam que há um perigo permanente resultante da actuação cada vez mais organizada dos radicais anti-taurinos que contrasta com a passividade do meio taurino.
Não acha que, se em Espanha onde a tauromaquia é considerada a Fiesta Nacional, existe a possibilidade de se proibirem corridas de toiros, maior risco corremos nós em Portugal de que qualquer dia alguém se lembre de levantar uma guerra contra a festa e também aqui se proibirem os toiros? Até porque não é um cenário assim tão remoto, se pensarmos em Viana do Castelo, declarada cidade anti-taurina.
Claro que sim. Mas julgo que a maior resposta que pode ser dada é mostrar a vitalidade da nossa festa enquanto referência cultural do nosso povo.
Enquanto presidente da Associação Portuguesa de Empresários Taurinos quais têm sido as medidas que tem tomado para defesa do sector?
Aquela que considero mais urgente é a criação de uma federação que una e represente de forma consistente e organizada, com base numa estratégia que dê voz a todas as associações dos vários sectores da tauromaquia. É elementar e urgente.
Para terminar, um desejo para a temporada de 2010?
Toiros bravos e muita competição, numa palavra – Emoção.
UMA ENTREVISTA DE PATRÍCIA SARDINHA / NATURALES, CORREIO DA TAUROMAQUIA IBERICA
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