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Carlos Pegado faz o balanço da Temporada

1. Carlos Pegado, com o Festival Taurino deste Sábado na Arena de Évora, a temporada 2009 chegou ao fim para a empresa Terra Brava. Qual é o balanço que pode fazer da temporada nas várias praças onde montaram corridas?
Fazemos um balanço positivo. Tivemos bons espectáculos, assistimos a grandes momentos em qualquer umas das praças onde demos corridas. Ainda agora, a última em Alcácer do Sal, foi considerada por muitos como uma das melhores da temporada, corrida essa onde esteve em disputa o troféu João Branco Núncio. Muitas vezes as coisas não correm como esperamos, pois trata-se de um espectáculo onde há muito de imprevisto, quer a nível dos toiros, quer dos artistas, mas fazemos de tudo para que corra sempre pelo melhor.

 2. Com a Festa do Forcado a empresa Terra Brava iniciou a temporada 2009, que já é considerada a grande festa da Forcadagem. Essa festa de sucesso é para manter em 2010?
É com certeza, vamos de novo arrancar a temporada em 2010 com a Festa do Forcado.

3. A Arena D´Évora também é conhecida como a Catedral Nacional do Forcado, pois os cartéis são montados com base na figura do forcado e a segurança desse elemento da Festa é também uma das vossas preocupações sendo que nas corridas com o selo “Terra Brava” as bandarilhas utilizadas são as chamadas “à espanhola”, visando manter a integridade física do forcado. No próximo dia 3 de Novembro, a Arena d’Évora vai testar esses mesmos ferros. O Carlos foi um brilhante forcado e também sofreu lesões provocadas por bandarilhas, na sua opinião o que falta para se implementar de vez este tipo de bandarilhas?
Eu penso que só falta vontade e a prova está que eu nas minhas organizações utilizo sempre essas bandarilhas. Penso que tem existido inércia por parte de várias pessoas. Todos sairiam beneficiados se fossem implementadas, inclusivamente os cavaleiros que também já sofreram acidentes, não tantos como os forcados, mas temos o caso do Leonardo Hernandez, o próprio João Moura, que esteve a pontos de ferir um olho. Penso que todos irão beneficiar com isso e se pudermos aumentar a segurança para todos os intervenientes, melhor, pois só o factor toiro já é um risco tão grande para todos que não faz sentido que as bandarilhas sejam um perigo adicional e para provar isso a nível institucional e a nível “legal”, pois estas bandarilhas são perfeitamente legais, vamos levar a efeito esse teste na praça de Évora, dia 3 de Novembro, onde serão lidados dois toiros à porta fechada e onde será realizado esse teste a nível oficial, para que todos possam tirar as suas conclusões e para que de uma vez por todas esses ferros passem a ser obrigatórios nas nossas praças.

4. Outro sucesso em Évora é o Concurso de Ganadarias Luso-Espanhol. Também é para manter nas próximas temporadas ou pode sofrer algumas alterações?
O concurso de ganadarias é só por si uma data importante, independentemente das ganadarias, obviamente que estas terão que ser de prestígio, mas é o concurso mais antigo do Mundo, não é só de Portugal, pois não existe nenhum concurso de ganadarias no mundo taurino inteiro que tenha 50 anos de existência. Em princípio poderá ser para manter, mas não quer dizer que não sofra alterações, pois temos tantas e tão boas ganadarias portuguesas, que pode ser também interessante um concurso de ganadarias portuguesas, agora achamos que era importante internacionalizar o concurso, mas não tem que ter o selo obrigatório de ser com ganadarias espanholas e portuguesas, pode um ano ser só com ganadarias portuguesas.

5. No dia 10 de Julho realizou-se também em Évora a 12.ª Corrida Real, com a presença da Família Real Portuguesa e que foi transmitida em directo pela RTP 1 e com um cartel composto por três jovens cavaleiros, João Moura Caetano, João Moura Jr. e João Telles Jr., que competiram entre eles, mostrando assim aos Portugueses que a Tauromaquia está em renovação. A Empresa Terra Brava para além de apresentar os consagrados também tem dados oportunidade aos jovens, é essa a vossa postura?
Claro que sim, faz todo o sentido, porque a festa não pode estagnar, a festa tem que estar em permanente renovação, porque é isso que a faz viva, pois os novos valores têm que ir aparecendo e se eles não tiverem oportunidades, nunca irão ser figuras do toureio. Portanto tentamos sempre que possível, dar oportunidades aos novos valores e apresentar os que estão firmados e até aqueles que ninguém conhece terão a sua oportunidade, como é caso agora no Festival, em que há ali dois ou três miúdos que muito pouca gente conhece e que terão que começar a rodar e a aparecer, para que possa acontecer essa renovação. Este ano já foi um ano muito positivo em termos da renovação do toureio a cavalo, pois vimos aparecer dois ou três novos valores já com bastante força, quer em termos artísticos, quer em termos de criar interesse no público e isso é importantíssimo e quem tem que os semear são as empresas e portanto é essa a nossa postura.

 6. A empresa Terra Brava também tem como apanágio apresentar o toiro - toiro, como no caso do já referido concurso de ganadarias. Apresentaram também um curro Palha, Veiga Teixeira outros de Murteira Grave, Alcurrucén, em Alcácer um Curro Núncio, outro de Pégoras. Tem valido a pena apostar em curros de renome e exigentes? É uma política para manter em 2010?
Na minha postura enquanto empresário e como aficionado, pois eu antes que tudo sou aficionado, penso que a base da festa é precisamente o toiro. Sem toiro o cavaleiro ou o forcado podem estar melhor ou pior, mas se tivermos a presença do toiro - toiro em praça, a emoção estará sempre garantida. Assim o elemento mais importante na praça e a base do espectáculo é o toiro, daí a aposta que fazemos nas ganadarias que em princípios nos dão essas garantias. Por vezes nem sempre resulta, por vezes até nos enganamos nos toiros ou até nas ganadarias, mas isso já tem mais a ver com o que vai dentro de cada toiro. Mas quando montamos o espectáculo temos sempre de ter em conta que o toiro é o elemento base da corrida de toiros.

7. Diz-se no “mundillo” da Festa que a Praça de Évora é a praça com os bilhetes mais caros do país. Concorda?
Não concordo e discordo em absoluto. É das praças que tem os bilhetes mais baratos. O que acontece em Évora, é que a praça tem uma lotação muito reduzida. Évora tem bilhetes desde 15 euros, o que em Portugal em muitas praças não acontece, nem mesmo em muitas desmontáveis encontramos bilhetes a 15 euros e o bilhete mais caro é de 75 euros e também encontramos em muitas praças, nomeadamente em Lisboa bilhetes mais caros. Évora não será uma praça barata, como disse é uma praça apenas com 3.000 lugares e não permite que seja uma praça para bilhetes muito baratos, mas tem bilhetes para todos os bolsos. Sabemos que são poucos, mas posso adiantar que é nossa intenção manter esses bilhetes como também tentar criar que os bilhetes sofram uma alteração para mudar essa imagem em relação à praça de Évora. Também quero acrescentar que a praça de Évora é uma das mais confortáveis do país e Évora não pode ser vista como se paga, por exemplo, em Reguengos ou Montemor, ou outro sitio onde as pessoas não têm a mesma comodidade e isso também tem que ser tomado em conta. Mas fica a promessa que vai ser revista a política da bilheteira em termos de valores.

 8. O Carlos Pegado apresentou há vários anos em Salvaterra uma tese que defendia já na altura a criação da “Federação Portuguesa de Tauromaquia”, recentemente foi um dos fundadores e impulsionadores da Associação Portuguesa dos Empresários Taurinos. Acha que agora finalmente poderão estar criadas as condições para a criação da Federação Portuguesa de Tauromaquia?
Eu quero acreditar que sim, já desde essa altura e já lá vão alguns anos, que tenho trabalhado muito nessa matéria e quero acreditar que é possível. Não é fácil mas com boa vontade e profissionalismo tudo se consegue. Há por vezes muito amadorismo dentro da nossa festa e más vontades, mas vamos acabar por conseguir, porque no fundo o que está em causa é a própria sobrevivência da festa e penso que ninguém quer que a festa caminhe para o seu fim, principalmente numa altura em que a festa está a ser revitalizada, em que o público está a aderir em força, os agentes da festa têm que perceber de uma vez por todas a responsabilidade que possuem, pois têm que ser profissionais e determinados na defesa do que acreditam.

9. Qual a importância que a empresa Terra Brava atribui aos órgãos de comunicação Taurina, nomeadamente as publicações tradicionais, assim como aos sites taurinos e rádios locais?
Dou a máxima importância, porque a coisa mais uma importante no espectáculo é a comunicação. Tudo que seja comunicar através desses meios, é da máxima importância. Enquanto empresário apoio em tudo o que necessitarem da empresa para trabalhar, pois no fundo é esse o vosso trabalho, é também divulgar e criticar quando for caso disso e são também um pilar da Festa de toiros.

10. Finalmente Carlos, o que podem esperar os aficionados portugueses da Empresa Terra Brava para 2010?
Eu gosto sempre de proporcionar algumas surpresas, gosto de relacionar a tauromaquia com outras artes e tem sido apreciado nos vários espectáculos que montamos. Em termos base iremos ter 8 espectáculos em Évora, tal como aconteceu este ano. Iremos manter o Festival de Beneficência, porque é muito importante sentirmos que a Festa tem para dar a quem precisa e nós próprios nos sentimos bem moralmente ao chegar ao fim de um ano de trabalho e ajudar aqueles que mais precisam e demonstrar também, aqueles que são contra a tauromaquia, que nós nos preocupamos não só com os animais, como também com as pessoas e isso tem que ficar bem vincado em relação à postura da minha empresa. Podem esperar ainda muito profissionalismo, apresentando espectáculos de qualidade, com curros de toiros interessantes e preocuparmo-nos que o público saia satisfeito depois de assistir a um espectáculo que por nós seja realizado, onde sintam muita emoção, pois a emoção e a arte têm que estar sempre presente dentro da arena.

 
Uma entrevista exclusiva de Vitor Besugo, redactor de NATURALES, CORREIO DA TAUROMAQUIA IBERICA.
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