S. Pedro: Retrospectiva
Bastinhas e Carreiras levam chave do triunfo a S. Pedro
Casa cheia numa das datas mais carismáticas do calendário taurino Nacional. O S. Pedro em Évora!! Público entusiasta, disposto a divertir-se e a exigir de todos o maior empenho e profissionalismo. Os artistas sentiram isso mesmo, a competição entre gerações (criada na composição do cartel) existiu. O desafio do Grupo da terra de pegar, também ele, em solitário uma corrida de Murteira Grave, resultou no que se esperava, exigente e a corrida foi um êxito. Está de Parabéns a Festa Brava!! Os destaques maiores vão para os ovens, os três do cartel saíram ao ataque! Não se inibiram com a presença e boas actuações dos “cotas” que actuaram na primeira parte, quiseram mostrar que estavam para agarrar a oportunidade e dar mais um impulso à sua temporada 2009. Mostraram pundonor, seriedade, garra e oficio. E isto a juntar ao que temos visto ultimamente em vários “miúdos”, faz-nos acreditar que temos por cá o garante da continuidade da arte de
marialva e de fonte de entusiasmo do público aficionado ao toureio a cavalo. Mas também nos permite deixar um recado aos Pais, Apoderados, Mestres, Professores/Orientadores técnicos, Peões de brega ou quem aconselha e procura gerir as actuações dos jovens já rodados em Praça.
Deixem que os miúdos se empolguem, deixem que os miúdos vertam na arena a intuição e raça que trazem, deixem-os “apertar”, deixem-nos dar vantagens aos toiros. Evitem partir os toiros com os capotes e a permanente exibição dos mesmos em tábuas a cortar andamentos aos toiros, evitem as sortes em curto e a “afogar” os oponentes.
Compreende-se a ânsia de evitar o precalço, o procurar o toiro mais cómodo e maneirinho para os floreados, mas quando eles querem tourear, mostram que estão com ganas e argumentos, deixem que arrisquem e “armem os tacos” que se espera deles e que lhes serão certamente mais úteis nos seus inícios para chegar ao topo!! Pois é por aí o caminho que os aficionados reconhecem e faz a distinção entre as figuras e o “montón”!! Marcos Bastinhas, raça como nunca lhe viramos, domínio dos tempos da lide, aproveitou o melhor Grave do encierro de sobremaneira, deu-lhe a lide que trazia, com sobriedade de frente e colocação em bom plano, embora com uma outra “tainha no anzol”, mas que não deslustraram. Chegou com muita força ao conclave nos compridos, depois de receber e para o toiro com grande domínio, subiu a nota nos curtos, compondo actuação de grande êxito em Évora. Tiago Carreiras foi o outro triunfador grande na noite eborense. Com um estilo diferente mais em cima e muito baseado no desempenho do “Quirino”. Correcto nos compridos, armou um turbilhão nas bancadas com os curtos todos a papel químico, num Grave “á maneira” para o cavaleiro. Andou de frente no
cite, viagem e colocação dos ferros e entusiasmou com os remates em ladeio dominador. Pena aquela cabeça esticada no ar por parte da montada nos quarteios, pois de pintura seriam vários dos “embroques”.
De qualquer forma êxito serio!! Salgueiro da Costa, procurava o tal êxito retumbante que muito anseia, na última de uma serie de compromissos em Praças de topo. O toiro que lhe tocou não o permitiu.
Com pouco andamento e colaboração, tinha uma meia investida que não serviu para o toureio de poder e raça, que já se percebeu, leva dentro. Extraordinária série de compridos poderosos, deixou sair de largo e cravou de poder a poder. Nos curtos a nota foi também positiva
e as ganas fizeram com que a lide resultasse séria, mais moderada em velocidade e com asseio na colocação e remates, sempre a entrar pelo toiro dentro e com este já a querer ir para tábuas. Destaque maior para um último curto em que pôs toda a carne no assador, valeu-lhe o
entusiasmo do publico e um forte encontrão. Balanço muito positivo. Ao 101º Grave da carreira veio talvez uma das mais bonitas actuações de Joaquim Bastinhas com um exemplar da Galeana. Mostrou ofício para o
entender, perceber como lhe entrar nos terrenos e sair com limpeza, sem comprometer, mas conforme as regras. A “tarimba” fez a diferença, deixou a ferragem de forma artística e correcta, com o condão de aquecer o ambiente logo no primeiro toiro. Triunfo! A António Telles calhou a fava do sorteio. Um andarilho, pouco claro, que investia aos “arreões” e a medir, embora a algumas distâncias parecesse evidenciar defeito de visão, em particular da vista direita. António andou lidador sorrateiro e artista, para deixar de forma limpa e exemplar perante as condições a ferragem da ordem com brilhantismo e sem se deixar “agarrar”. Uma hesitação na saída para uma passagem pelo toiro
podia ter valido um queda já no final. No entanto lide de mestre reconhecida pelo público. Rui Salvador teve uma actuação claramente de menos a mais, em que se confiou nos curtos para sacar do oponente o
que ele tinha e acabou por compor a lide com sortes vistosas e a deixar a ferragem de forma asseada e correcta, com domínio completo da situação, agradou ao conclave. A base do cartel estava na festa/desafio dos Amadores de Évora, antigos e actuais, em pegar,
também eles, em solitário um curro da ganadaria Grave. Daí a presença de muita gente ligada às pegas nas bancadas. A prova foi superada de
forma positiva embora não tenha sida uma noite “redonda”. À antiga abriu o cabo Bernardo Patinhas, na 1ª tentativa reuniu mal e foi desfeiteado, corrigiu na segunda recuando mais e trazendo o toiro mais
toureado e consumou uma boa pega. Gonçalo Pires na 1ª tentativa citou de muito largo (quase das tábuas) o toiro que se arrancou com prontidão, aguentou e recebe-o em terrenos impossíveis sem encurtar
distancias, onde quem manda é o toiro e não lhe deu hipótese de se fechar. Corrigiu na segunda, andou mais para cima e consuma uma pega rijíssima e de muito querer a um grave que meteu a cara com muita dureza. Saiu lesionado com gravidade e ao que tudo indica com
necessidade intervenção cirúrgica, num pé. António Alfacinha, perfeito á primeira, toureiro em tudo o que fez diante do Grave. Francisco Garcia, perfeito nas duas boas tentativas que fez, faltando maior rapidez a aconchegá-lo na cara do toiro na primeira. Nuno Lobo esteve valente em quatro tentativas, na primeira não mandou na reunião, nas 2º e 3ª faltou um pouco mais de rapidez e decisão a ajudar. Consumou á quarta a resolver. Quis o Grupo de Évora fechar o desafio com uma pega de cernelha que resultou vibrante e bonita, por Gonçalo Mira e Manuel Rovisco à segunda entrada. O curro de Murteira Grave, irrepreensivelmente apresentado, evidenciou casta na generalidade, sendo mais colaborantes os quarto e quinto. Fica-nos a sensação que com mais vantagem, teriam alguns ajudado mais os toureiros (e o espectáculo) e exibido a casta que traziam, de outra forma. Tal a nobreza evidenciada sempre que investiram para capotes e sobretudo para os forcados, com fiereza e espírito de luta, com excepção do segundo. Dirigiu o Sr. César Marinho, com acessória do Dr. João Infante, embolação de José Paulo e acompanhamento da Banda da S.I.15 Janeiro de Alcochete. De parabéns a empresa TerraBrava pelo êxito do espectáculo e que anuncia já para dia 10 mais uma competição entre jovens na Arena D’Évora.
Nelson Lampreia
» Bastinhas Jr.