Entrevista a Carlos PegadoEntrevista concedida em 17/2/2009 a João Silva
www.solesombra.com A empresa Terra Brava é uma das empresas que mais tenta inovar, com que surpresas vai brindar a aficion esta temporada?
A inovação é fruto da criatividade que deverá andar aliada ao bom gosto, sem nunca fugir à linha tradicional da tauromaquia à portuguesa. Penso que as diversas artes deverão “comunicar” entre elas e se fôr possível introduzir dentro da corrida de toiros outras expressões artísticas, o espectáculo fica enriquecido e o público sai a ganhar.
Para além disso existe sempre uma necessidade de superação constante. E aí nasce a surpresa…
Além da praça de Évora, leva a praça de Alcácer do Sal e Alter do Chão, espera gerir mais praças este ano?
Mantemos a gestão dessas três praças de toiros e muito possivelmente a realização de um espectáculo em Elvas, onde nos dois últimos anos estivémos presentes com duas corridas de casa esgotada.
A praça de Évora que, desde a sua renovação, passou a ser uma praça de temporada e onde iremos realizar oito espectáculos, sendo seis corridas de toiros, uma garraiada de estudantes e um festival de beneficência.
Na praça de Alcácer terão lugar os dois espectáculos tradicionais, o primeiro na PIMEL, no dia 27 de Junho e o outro na Feira de Outubro, onde sempre homenageamos aquele que foi a maior figura do toureio a cavalo de sempre e o responsável pela construção desta bonita praça de toiros – o senhor João Branco Núncio.
Para terminar, na praça de Alter do Chão terão lugar no ano de 2009 três espectáculos. O primeiro que é sem dúvida uma das datas mais acarinhadas pela afición do Alentejo, o 25 de Abril e que este ano conta com um grande cartel, como já vem sendo hábito; a segunda será uma corrida de beneficência a favor da União das Misericórdias e a última onde a figura central será o Grupo de Forcados Amadores de Alter do Chão, que nas últimas temporadas se tem destacado como uma revelação no âmbito dos grupos nacionais.
A Festa do Forcado o ano passado foi um êxito e este ano vai-se repetir. Está a pensar levar este género de espectáculo a outras praças?
Penso que não. E a razão é simples, pois um evento desta natureza faz sentido quando numa determinada data todos os esforços se unem para ser atingido um objectivo comum – prestigiar e engrandecer a figura do forcado amador na sua essência mais pura.
Évora sempre foi e é cada vez mais uma praça emblemática para os forcados. O público é entendido, reconhece e valoriza a acção dos grupos. Mas acima de tudo tem um grande respeito pelo forcado e até um carinho enorme… e isso faz com esta praça seja especial para os forcados. É a Catedral!!!
Qual o cartel sonhado para a praça de Évora que ainda não conseguiu concretizar?
Tento sempre fazer o cartel sonhado.
Já tenho conseguido algumas vezes. Todos os anos renascem os sonhos, por vários motivos, ou é aquela ganadaria, ou aquele toureiro, ou a desejada competição entre toureiros, ou aquela ideia que à partida parece impossível concretizar.
Sonhar faz parte da minha condição de aficionado.
Muitas pessoas mais velhas dizem que actualmente a tauromaquia está de rastos. O Carlos que já cá anda há um bom par de anos tem a mesma opinião?
Se formos ler os escritos taurinos com 50 ou 60 anos (que gosto muito de ler) chegamos à conclusão que sempre foi assim. Penso que tem que ver com o nosso nível de exigência.
Muito honestamente julgo que a tauromaquia está a viver um momento alto, se comparado com os últimos dez anos, fruto de várias circunstâncias como são o facto da rebertura da 1ª praça do país, o aparecimento de novos nomes no toureio a cavalo que estão a revitalizar a competição, o interesse dos media pelo fenómeno taurino, a modernização de algumas praças de toiros, o maior interesse do público, etc.
No entanto e paralelamente há muitos problemas por sanar, mas o “virús” está instalado no interior da classe profissional.
Tendo sido o Carlos um forcado de uma instituição cheia de tradições, como é o Grupo de Forcados de Montemor-o-Novo, como vê o aparecimento massivo de novos grupos de forcados?
Um grupo de forcados deve ser uma escola de virtudes e de valores. É uma lição de vida.
Ultimamente têm surgido grupos que são fruto da discórdia e de dissidências, e isso julgo que não é saudável.
Mas penso que os grupos de forcados são o pulmão da festa.
E a festa precisa de respirar!!
Devido à crise que o país atravessa acha que os proprietários das praças deviam de unir esforços com os empresários e baixar as rendas dos tauródromos, de modo a que os aficionados pudessem ter uma entrada mais acessivel às bolsas?
O país já vem atravessando uma crise financeira há muitos anos, esse não será o motivo, mas penso e sempre defendi e promovi vários encontros com os diversos agentes da festa no sentido de criar o associativismo, que é essencial em todas as actividades e como é óbvio deveria existir neste sector, como base duma estratégia com objectivos bem defenidos.
Em tempos houve corridas mistas e apeadas em Évora. Consigo a gerir a praça essa é uma hipotese fora de questão?
A resposta tem sido dada nos últimos 10 ou 15 anos em que a corrida apeada tem vindo a perder expressão em Portugal. Foi fruto da falta de cuidado que houve nas empresas que há 30 anos atrás não promoveram essa modalidade do toureio, aliado ao facto de também não terem surgido figuras à altura daquelas que nos anos 50 e 60 elevaram bem alto o prestígio do nosso toureio a pé.
Agora estamos na altura de semear, para colher daqui a não sei bem quantos anos. O Campo Pequeno deu o mote com o concurso “À procura de novos toureiros”, mas é preciso haver continuidade. Não estou com isto a dizer que a responsabilidade dessa continuidade está na empresa do Campo Pequeno. Aqui mais uma vez ficou provado que faz falta trabalhar em associação, com objectivos e estratégias definidas de princípio.
Pode adiantar-nos algumas novidades que tenha para esta temporada?
O calendário da temporada 2009 da Arena d’Évora será divulgado na próxima semana.
Posso adiantar que a temporada terá o seu arranque, no dia 11 de Abril, em Évora, com a Festa do Forcado, na sua 2ª edição. Será um dia muito importante para a tauromaquia portuguesa e para a figura incontornável do forcado amador e que terá como grande novidade a apresentação do Grupo de Forcados de Mazatlan, do México. Em Alter, no dia 25 de Abril será apresentado um grande cartel para lidar uma corrida de Pégoras com João Moura, Brito Paes, João Moura Caetano e o amador Miguel Moura, os Forcados serão os de Montemor e Alter e em Alcácer do Sal, no dia 27 de Junho será lidado um imponente curro de Branco Núncio.
Que opinião tem sobre a proliferação de orgãos de comunicação taurinos, principalmente na internet, a difundir a tauromaquia?
Tudo o que seja divulgar e promover a tauromaquia, com credibilidade, é muito positivo.
É importante que seja com qualidade e que se mantenha a actualidade.
Aproveito a oportunidade para vos dar os parabéns pela criação de mais um site taurino e que venham pelo bem da festa.